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Quem tem energia solar paga conta de luz? O que se paga de verdade em 2026

A resposta direta para a dúvida número um de quem instala energia solar: você continua pagando conta de luz, e este guia mostra exatamente o que sobra na fatura em 2026.

Sim, quem tem energia solar ainda paga conta de luz, e a fatura nunca chega a zero. Todo consumidor ligado à rede paga um valor mínimo mensal chamado custo de disponibilidade, equivalente a 30 kWh na ligação monofásica, 50 kWh na bifásica e 100 kWh na trifásica (ANEEL, 2026). Em 2026 entra ainda a cobrança do Fio B, que já chega a 60% para quem instalou o sistema depois de 7 de janeiro de 2023 (Canal Solar, 2026).

Isso não quer dizer que a energia solar deixou de valer a pena. Quer dizer que a economia não é de 100%, e entender o que continua na conta evita frustração depois da instalação. Este guia explica, de forma direta, tudo o que você paga mesmo gerando a própria energia, quanto sobra na média e por que o sistema ainda economiza.

Principais pontos

  • A conta de luz de quem tem energia solar nunca zera: sempre existe o custo de disponibilidade de 30, 50 ou 100 kWh, conforme o tipo de ligação.
  • O Fio B passou a ser cobrado de quem gera a própria energia e sobe a cada ano: 15% em 2023, 30% em 2024, 45% em 2025 e 60% em 2026.
  • A CIP, a contribuição de iluminação pública, é cobrada sempre, tenha você energia solar ou não.
  • Quem instalou o sistema antes de 7 de janeiro de 2023 mantém a compensação integral sem Fio B até 31 de dezembro de 2045.
  • Mesmo com essas cobranças, um sistema bem dimensionado ainda reduz a conta em uma fração grande do valor original.

Por que a conta de luz nunca zera com energia solar?

A conta nunca zera porque a distribuidora cobra um valor mínimo pela sua conexão estar disponível, e esse valor existe mesmo que você gere toda a energia que consome. É o custo de disponibilidade, que equivale a 30 kWh para ligações monofásicas, 50 kWh para bifásicas e 100 kWh para trifásicas (CentralWatt, 2026).

Na prática, você paga a rede para ter a segurança de puxar energia à noite, em dias nublados e nos momentos em que o sistema não dá conta do consumo. Sobre esse mínimo ainda incidem os impostos e a taxa de iluminação pública. Por isso, quem promete conta zero está vendendo uma expectativa que a regulação brasileira não permite cumprir.

O custo de disponibilidade e quanto ele custa

O custo de disponibilidade é o valor mínimo que toda unidade consumidora do Grupo B paga por mês, mesmo consumindo pouco ou nada da rede. Ele é calculado multiplicando a quantidade fixa de kWh do seu tipo de ligação pela tarifa vigente na sua distribuidora, e depois somando ICMS, PIS, COFINS e a contribuição de iluminação pública (EDP, 2026).

O valor em reais muda de estado para estado, porque depende da tarifa local. A tabela abaixo resume o mínimo cobrado por tipo de ligação.

  • Monofásica: Consumo mínimo cobrado: 30 kWh / O que representa: Casas menores, um ou dois moradores
  • Bifásica: Consumo mínimo cobrado: 50 kWh / O que representa: Padrão intermediário de consumo
  • Trifásica: Consumo mínimo cobrado: 100 kWh / O que representa: Casas grandes, comércios e mais aparelhos

Vale conferir na sua fatura qual é o seu tipo de ligação antes de dimensionar o sistema, porque uma casa trifásica sempre terá um piso maior. Para entender cada linha da cobrança, veja também o guia de consumo de TUSD e TE na conta de luz.

O que é o Fio B e por que ele aumenta a conta em 2026?

O Fio B é a parcela da tarifa de distribuição que remunera a rede física, os fios e postes que levam a energia até você. Antes da Lei 14.300, quem gerava energia solar não pagava essa parcela sobre a energia injetada. Depois da lei, quem instalou o sistema após 7 de janeiro de 2023 passou a pagar o Fio B de forma gradual, subindo todo ano (Lei 14.300, 2026).

O cronograma é progressivo e é o que mais pesa na conta de quem instalou recentemente. Em 2026 a cobrança está em 60% do valor do Fio B sobre cada kWh que você injeta e depois compensa (Canal Solar, 2026).

  • 2023: 15%
  • 2024: 30%
  • 2025: 45%
  • 2026: 60%
  • 2029 em diante: 100%

Esse é o motivo de a economia com energia solar ter diminuído um pouco para novos sistemas. Entender o Fio B na conta de energia solar ajuda a projetar o retorno com números realistas, e não com a promessa antiga de conta zerada.

Quem instalou antes de 2023 paga a mesma coisa?

Não. Quem conectou o sistema até 6 de janeiro de 2023 tem direito adquirido e continua com a compensação integral, sem pagar o Fio B, até 31 de dezembro de 2045 (Canal Solar, 2026). Esse grupo é chamado de GD-I na regulação e foi protegido justamente para não punir quem investiu antes da nova lei.

Na prática, dois vizinhos com sistemas idênticos podem ter faturas diferentes só pela data de conexão. Por isso, quem comprou um imóvel com energia solar já instalada deve confirmar a data de homologação, porque ela define qual regra de compensação vale para aquele sistema pelas próximas duas décadas.

Outros itens que continuam na fatura

Mesmo zerando o consumo de energia, alguns itens continuam na fatura porque não dependem de quanto você gera. A contribuição de iluminação pública, a CIP, é cobrada por praticamente todos os municípios e não tem relação com a energia solar (EDP, 2026). Ela financia a iluminação das ruas e entra na conta de qualquer consumidor.

Somam-se a isso os impostos sobre o valor mínimo e, quando estiver ativa, a bandeira tarifária sobre a energia que você puxar da rede. Vale entender como a bandeira tarifária funciona, porque em meses de bandeira vermelha a parte que você ainda consome da rede fica mais cara.

Esses itens fixos ajudam a explicar por que duas casas com o mesmo sistema podem ter contas diferentes. A tarifa local, o município e o tipo de ligação mudam o piso de cada fatura. Por isso, ao comparar sua conta com a de um vizinho ou com um exemplo da internet, confirme se as duas partem da mesma base antes de concluir que algo está errado.

Afinal, quanto sobra de conta com energia solar?

Depende do tipo de ligação, da tarifa local e de quão bem o sistema foi dimensionado, mas o valor residual costuma girar em torno do custo de disponibilidade mais o Fio B parcial. Em um exemplo divulgado para 2026, uma casa com conta original de R$ 400 e um sistema de 4 kWp bem dimensionado pagaria cerca de R$ 92 por mês, sendo aproximadamente R$ 40 de taxa mínima e R$ 52 de Fio B parcial (Energia Solar Explicada, 2026).

Esse número é ilustrativo e muda conforme a distribuidora, mas mostra a ordem de grandeza: a conta cai bastante, sem chegar a zero. Um erro comum é subdimensionar o sistema achando que qualquer geração zera a fatura, quando na verdade é o dimensionamento correto que aproxima a conta do piso mínimo.

Como reduzir ao máximo o que sobra na conta

Se a conta nunca zera, o objetivo passa a ser aproximá-la do piso mínimo. O primeiro passo é dimensionar o sistema para o consumo real do ano, e não para a maior conta de um mês de verão, porque um sistema muito pequeno deixa parte do consumo sendo cobrado pela tarifa cheia. Um sistema bem calibrado gera perto do que a casa gasta ao longo dos doze meses.

O segundo passo é deslocar consumo para o horário de sol sempre que possível, ligando máquina de lavar, bomba de piscina e ar-condicionado durante o dia. Assim você usa a energia na hora em que ela é gerada, sem depender só do crédito compensado, sobre o qual incide o Fio B. Acompanhar a geração pelo aplicativo do inversor ajuda a perceber meses de baixa produção antes que eles virem uma conta alta e uma surpresa desagradável.

A regra pode mudar? O que a ANEEL está discutindo

Sim, o modelo pode mudar nos próximos anos. A ANEEL abriu discussão para substituir a atual franquia mínima, baseada em uma quantidade de kWh, por uma cobrança fixa mensal em reais, dimensionada para cobrir os serviços comerciais da distribuidora (ANEEL, 2026). A proposta passou por consulta pública em 2026 e ainda depende de decisão final.

Enquanto isso não se define, vale acompanhar as regras da geração distribuída, que hoje beneficia quase 7 milhões de unidades consumidoras e cerca de 21 milhões de pessoas no Brasil (Movimento Solar Livre, 2026). Qualquer mudança nesse volume tende a ser gradual e com regras de transição.

FAQ

Quem tem energia solar pode ter conta de luz zerada?

Não. A conta nunca zera porque existe o custo de disponibilidade, um valor mínimo de 30, 50 ou 100 kWh conforme o tipo de ligação, cobrado mesmo quando você gera toda a energia que consome. Sobre esse mínimo ainda incidem impostos e a contribuição de iluminação pública. O que um bom sistema faz é aproximar a conta desse piso, não eliminá-la.

Quanto paga de conta quem tem energia solar em 2026?

O valor residual costuma ser o custo de disponibilidade somado ao Fio B parcial e à CIP. Em um exemplo de 2026, uma casa com conta de R$ 400 e sistema de 4 kWp pagaria cerca de R$ 92 por mês. O número varia com a distribuidora, o tipo de ligação e o dimensionamento, mas a conta cai bastante sem chegar a zero.

O que é o Fio B na conta de energia solar?

O Fio B é a parcela da tarifa que remunera a rede de distribuição. Para sistemas instalados após 7 de janeiro de 2023, ele é cobrado sobre a energia injetada e compensada, de forma gradual: 15% em 2023, 30% em 2024, 45% em 2025 e 60% em 2026, chegando a 100% em 2029. É a principal razão de a economia ter caído para novos sistemas.

Quem instalou energia solar antes de 2023 paga Fio B?

Não. Quem conectou o sistema até 6 de janeiro de 2023 tem direito adquirido à compensação integral, sem Fio B, até 31 de dezembro de 2045. Esse grupo é chamado de GD-I. Por isso, dois sistemas idênticos podem gerar faturas diferentes apenas pela data de homologação, e vale sempre confirmar essa data ao comprar um imóvel com solar.

Vale a pena ter energia solar mesmo pagando conta de luz?

Sim, na maioria dos casos. Mesmo com o custo de disponibilidade e o Fio B, um sistema bem dimensionado reduz a conta em grande parte e traz previsibilidade de custos por décadas. O segredo é dimensionar corretamente e projetar o retorno com as cobranças reais de 2026, e não com a promessa antiga de conta zerada. Ferramentas de dimensionamento como a da Reonic ajudam a chegar nesse número com precisão.

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