A tarifa residencial da RGE Sul está em R$ 0,945 por kWh desde junho de 2026, um valor que já reflete o reajuste de 14,89% aprovado pela ANEEL para a classe B1 (Calculadora de Energia, 2026). Se você tem energia solar no Rio Grande do Sul, ler a conta ficou mais complexo do que apenas olhar o total no fim da página.
Quando o sistema fotovoltaico entra em operação, a fatura da RGE deixa de mostrar só o consumo. Ela passa a registrar energia injetada, créditos usados, o Fio B sobre a parte compensada e um valor mínimo que você paga todo mês mesmo gerando bastante. Este guia abre cada campo dessa conta para você conferir se está pagando o que deveria.
Resumo rápido
- A RGE atende 381 municípios e cerca de 3,19 milhões de unidades consumidoras no Rio Grande do Sul (Grupo CPFL, 2025).
- A tarifa de R$ 0,945/kWh soma TUSD (R$ 0,589) e TE (R$ 0,356), antes de ICMS e bandeira (Calculadora de Energia, 2026).
- Em 2026, o Fio B cobra 60% da parcela de distribuição sobre a energia compensada (pv magazine Brasil, 2026).
- Você sempre paga o custo de disponibilidade: 30, 50 ou 100 kWh conforme o tipo de ligação (CentralWatt, 2025).
- No RS, o ICMS sobre energia é de 12% até 50 kWh e 17% acima disso (RGE, 2025).
O que é a RGE e quem recebe essa conta no Rio Grande do Sul?
A RGE é a distribuidora do Grupo CPFL Energia que opera no interior e na serra gaúcha, atendendo 381 municípios e mais de 3 milhões de clientes (Grupo CPFL, 2025). Se o seu endereço fica fora da região metropolitana de Porto Alegre, é bem provável que a sua conta venha com o logo da RGE.
A distribuidora não gera a maior parte da energia que entrega. Ela compra energia no mercado, transporta pela rede e cobra por esse serviço na sua fatura. Entender essa divisão ajuda a ler cada linha da conta, porque parte do valor remunera a geração e parte remunera a rede que leva a eletricidade até o seu medidor.
Como funciona a tarifa da RGE: TUSD e TE
A tarifa que a RGE aplica junta duas parcelas. A TUSD, ou Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição, responde por R$ 0,589 do total e cobre o transporte da energia, a manutenção da rede e os encargos setoriais. A TE, ou Tarifa de Energia, fica em R$ 0,356 e paga a compra da eletricidade junto às geradoras (Calculadora de Energia, 2026).
Somadas, elas formam os R$ 0,945 por kWh da classe residencial B1, onde a TUSD pesa cerca de 62% e a TE os 38% restantes. Essa separação parece técnica, mas é ela que explica o Fio B da energia solar: quando você compensa energia, continua devendo parte da TUSD, e é sobre esse pedaço da distribuição que a cobrança de transição incide.
Para entender melhor cada sigla que aparece nas colunas da sua conta, vale conferir o guia sobre o que é TUSD e TE na conta de luz. Ele detalha por que a distribuição custa mais que a energia em si na maioria das faturas brasileiras.
O que muda na conta de luz depois que você instala energia solar?
Com o sistema homologado, a RGE instala um medidor bidirecional e a sua conta passa a operar dentro do Sistema de Compensação de Energia Elétrica. A fatura mostra a energia que você consumiu da rede, a energia que injetou e o saldo em créditos. Cada crédito equivale a 1 kWh e vale por até 60 meses para abater consumo futuro.
O ponto que confunde muita gente é que a energia solar não zera a conta. Você abate o consumo com os créditos, mas ainda paga o custo de disponibilidade, o Fio B sobre a parte compensada e os impostos que incidem sobre o valor final. Em uma casa que gera quase tudo que consome, a fatura pode cair bastante, embora nunca chegue a R$ 0,00.
Se a diferença entre o antes e o depois ainda parece confusa, o artigo sobre quanto de desconto a energia solar dá na conta de luz mostra o cálculo com números reais e ajuda a calibrar a expectativa.
O que é o Fio B e quanto ele pesa na conta em 2026?
O Fio B é a parcela da TUSD ligada ao uso físico da rede de distribuição, e desde a Lei 14.300 de 2022 quem gera energia solar paga um percentual crescente dele sobre a energia compensada. Em 2026, esse percentual chegou a 60%, contra 45% em 2025 (pv magazine Brasil, 2026).
A cobrança sobe 15 pontos por ano até estabilizar. Na prática, o custo extra por megawatt-hora compensado fica entre R$ 0,15 e R$ 0,20, variando conforme a distribuidora (EDP, 2025). Quem pediu a conexão antes de 7 de janeiro de 2023 tem direito adquirido e segue no modelo antigo, sem Fio B, até 31 de dezembro de 2045 (EDP, 2025).
O cronograma de transição segue esta escala:
- 2024: 30% da TUSD Fio B sobre a energia compensada.
- 2025: 45% da parcela de distribuição.
- 2026: 60%, o patamar vigente neste ano.
- 2027: 75% da TUSD Fio B.
- 2028: 90% da parcela de distribuição.
Para o detalhamento completo da regra e do cálculo, o guia sobre o Fio B na energia solar explica como a cobrança aparece linha a linha na fatura.
Custo de disponibilidade: o valor mínimo que você paga mesmo gerando energia
Toda unidade consumidora conectada à rede paga um custo de disponibilidade, que funciona como uma assinatura mínima pela conexão. Ele corresponde a um consumo mínimo definido pela Resolução Normativa ANEEL nº 1.000/2021 e depende do tipo de ligação da sua casa (CentralWatt, 2025).
Os valores mínimos são fixos por padrão de ligação:
- Monofásica: 30 kWh por mês.
- Bifásica: 50 kWh por mês.
- Trifásica: 100 kWh por mês.
Isso significa que, mesmo que você gere mais do que consome, a RGE cobra o equivalente a esse mínimo antes dos impostos. Uma ligação trifásica que produz energia de sobra ainda paga cerca de 100 kWh todo mês. Por isso o dimensionamento do sistema precisa considerar o padrão de entrada, e não só o consumo médio anual da residência.
Como o ICMS e o PIS/COFINS entram na conta da RGE?
O ICMS é o imposto que mais pesa na fatura e é cobrado por dentro, ou seja, a base de cálculo já inclui o próprio imposto. No Rio Grande do Sul, a alíquota residencial é de 12% para consumo até 50 kWh e de 17% acima disso (RGE, 2025). O PIS e a COFINS, tributos federais, somam por volta de 9% e variam a cada mês.
O efeito no bolso é grande. Uma conta de 200 kWh na RGE sai de R$ 188,92 sem impostos para cerca de R$ 248,10 depois do ICMS de 17% e do PIS/COFINS (Calculadora de Energia, 2026). Com energia solar, os impostos incidem apenas sobre o que sobra depois da compensação, o que reduz a base tributável quando a geração cobre boa parte do consumo.
Bandeiras tarifárias e tarifa branca: o que observar na fatura
A bandeira tarifária é um adicional que muda todo mês conforme o custo de gerar energia no país. Para janeiro de 2026, a ANEEL definiu bandeira verde, sem cobrança extra (RGE, 2026). Quando a bandeira fica amarela ou vermelha, o valor por kWh sobe, e isso incide sobre a energia que você ainda consome da rede, não sobre os créditos.
A RGE também oferece a tarifa branca, na qual o preço muda por horário. Fora de ponta o kWh cai para R$ 0,760, enquanto no horário de ponta, das 17h30 às 20h30, sobe para R$ 1,787 (Calculadora de Energia, 2026). Para quem tem energia solar, a tarifa branca raramente compensa, já que a geração acontece de dia e o consumo caro é à noite, quando os créditos precisam cobrir a diferença.
Vale acompanhar o funcionamento das bandeiras tarifárias mês a mês, porque uma bandeira vermelha pesa mais em quem consome muito da rede no fim do dia.
Passo a passo para ler a conta da RGE com energia solar
Ler a fatura fica simples quando você segue uma ordem. Primeiro confira o histórico de consumo e geração, que a RGE imprime em um gráfico com os últimos doze meses. Depois localize a energia injetada e o saldo de créditos, que indicam quanto você acumulou para os próximos meses.
Em seguida, some as parcelas cobradas: o consumo não compensado, o custo de disponibilidade e o Fio B sobre a energia compensada. Por último, verifique os impostos e a bandeira do mês. Se algum valor destoar do padrão, compare com a fatura anterior antes de abrir um chamado, porque variações de irradiação entre estações mudam a geração de forma natural.
Para uma visão geral que serve a qualquer distribuidora, o guia sobre como entender a conta de luz com energia solar traz o mesmo raciocínio aplicado ao modelo nacional. E se a sua conta é da Light, e não da RGE, o guia da conta de luz da Light segue a mesma lógica com os detalhes daquela distribuidora.
Na prática de campo, o erro mais comum que vemos não é técnico, e sim de leitura: o cliente acha que a conta deveria zerar e estranha o custo de disponibilidade. Explicar esse mínimo na entrega do sistema evita quase todas as reclamações do primeiro mês. Ferramentas de monitoramento como as da Reonic ajudam a mostrar geração e consumo lado a lado, o que facilita essa conversa.
Perguntas frequentes
A energia solar zera a conta de luz da RGE?
Não. Mesmo gerando mais do que consome, você paga o custo de disponibilidade, que é de 30, 50 ou 100 kWh conforme o tipo de ligação, além do Fio B sobre a energia compensada e dos impostos. A conta cai bastante, mas nunca chega a zero enquanto o imóvel estiver conectado à rede da distribuidora.
Quanto custa o kWh da RGE em 2026?
A tarifa residencial B1 da RGE Sul está em R$ 0,945 por kWh desde 19 de junho de 2026, somando TUSD de R$ 0,589 e TE de R$ 0,356, sem impostos. Sobre esse valor incidem ainda o ICMS estadual e o PIS/COFINS federal, que elevam o custo final da fatura em cerca de 25% a 30%.
O que é o Fio B na minha conta de solar?
O Fio B é a parcela da rede de distribuição cobrada sobre a energia que você compensa com créditos. Em 2026 a cobrança é de 60% dessa parcela e sobe para 75% em 2027. Quem conectou o sistema antes de 7 de janeiro de 2023 não paga Fio B até 2045, por direito adquirido da Lei 14.300.
Por quanto tempo valem os créditos de energia da RGE?
Os créditos de energia gerados pelo seu sistema valem por até 60 meses, ou seja, cinco anos, para abater consumo em meses de menor geração. Eles são úteis no inverno gaúcho, quando a irradiação cai e a produção do sistema fica abaixo do consumo da casa. Depois desse prazo, o saldo não usado expira.
Como o ICMS afeta quem tem energia solar no RS?
No Rio Grande do Sul, o ICMS sobre energia é de 12% até 50 kWh e 17% acima disso, cobrado por dentro. Com energia solar, o imposto incide apenas sobre a energia que você ainda consome da rede depois da compensação, o que reduz a base de cálculo e diminui o valor pago em ICMS ao longo do ano.






