Fixar placa solar no telhado significa ancorar a estrutura direto na madeira ou na terça da cobertura, nunca apoiada sobre a telha, porque cada módulo pesa de 12 a 25 kg e ainda recebe carga de vento (Solar Brasil, 2026). O conjunto de painéis mais estrutura fica em torno de 15 kgf por metro quadrado, peso que a maioria dos telhados suporta, mas só uma avaliação prévia confirma isso na sua casa (OfertaSolar, 2026).
Este guia mostra como fixar a placa em cada tipo de cobertura brasileira, telha cerâmica, fibrocimento e metálica, quais peças usar e como vedar o furo para o telhado não infiltrar. O foco é o método correto, do gancho ao aperto final, para o sistema durar os 25 anos de vida útil sem folga nem vazamento. Antes da fixação vem o dimensionamento, ou seja, quantas placas cabem por metro quadrado do seu telhado.
Principais pontos
- A estrutura se fixa na parte estrutural do telhado, caibro ou terça, e o módulo pesa de 12 a 25 kg, então o apoio nunca fica sobre a telha (Solar Brasil, 2026).
- O conjunto de painéis mais fixação soma cerca de 15 kgf/m², dentro da sobrecarga acidental de 25 kgf/m² prevista pela NBR 8800 na maioria dos telhados (OfertaSolar, 2026).
- Cada tipo de telha pede uma peça: gancho regulável na cerâmica, suporte L no fibrocimento e parafuso autobrocante na metálica (HCC Energia Solar, 2026).
- A vedação do furo com arruela de EPDM custa de R$ 3 a R$ 8 por ponto e evita a infiltração que o silicone comum não segura (Solar Brasil, 2026).
- A fixação segue as normas NBR 6123, NBR 8800 e NBR 16690, que exigem peças resistentes à corrosão e cálculo de vento (Aldo Solar, 2026).
As três peças que sustentam a placa no telhado
A placa fica presa a uma estrutura de alumínio e aço inox formada por três peças: o gancho ou suporte que prende no telhado, o perfil trilho onde o módulo assenta e os grampos que apertam a moldura. Parafusos e grampos expostos são de aço inox AISI 304, e o trilho, de alumínio 6005-T6 anodizado (Estruturas MLN, 2026).
O gancho ou suporte é o ponto crítico, porque é ele que transfere o peso e a carga de vento para a estrutura da casa. O perfil vem em bitolas como 30x40 mm e 35x58 mm, e o gancho certo muda conforme o trilho escolhido (Energia Solar Shop, 2026). O grampo intermediário une dois módulos e o grampo final fecha a ponta da fileira.
A distância entre os ganchos define quantos pontos cada fileira precisa. Em geral, um módulo se apoia em quatro ganchos, dois em cada trilho, mas telhado em região de vento forte pede pontos extras. O trilho ainda deixa um vão de ar entre o painel e a telha, o que ajuda o módulo a trabalhar mais frio e a render um pouco mais.
Misturar metais diferentes na estrutura acelera a corrosão. Por isso a NBR 16690 pede peças compatíveis: parafuso de inox com perfil de alumínio, sem contato direto com aço zincado desprotegido (Aldo Solar, 2026). Estrutura que oxida por dentro perde resistência antes da hora e compromete a fixação da fileira toda.
Na prática, vale conferir se todos os parafusos ficaram no mesmo aperto. Um grampo frouxo deixa o módulo vibrar com o vento e, com o tempo, ovaliza o furo do trilho e afrouxa a fileira inteira. Aperto de menos solta, aperto de mais amassa a moldura de alumínio do painel.
Fixação em telhado cerâmico ou colonial
No telhado cerâmico, o gancho regulável é preso ao caibro de madeira por baixo da telha, contorna a borda e sai para receber o perfil, o que preserva a telha sem cortá-la (Canal Solar, 2026). É o método que menos mexe na cobertura, desde que o gancho encoste no caibro, e não apenas na ripa.
O passo a passo começa por localizar o caibro, remover a telha daquele ponto, parafusar a base do gancho na madeira e recolocar a telha por cima. Onde a telha encosta no gancho, às vezes é preciso um pequeno desbaste para ela assentar sem forçar. Telha apoiada sobre o gancho trinca no primeiro calor forte.
Quem instala em telha colonial antiga precisa de telhas reserva à mão. Uma ou outra quebra na hora de levantar, e a troca imediata evita infiltração depois. Guardar as telhas retiradas na ordem certa também acelera a recolocação e reduz o risco de deixar frestas.
O espaçamento dos caibros manda no projeto. Quando o caibro não cai no ponto ideal do trilho, o instalador usa o gancho regulável para compensar sem forçar a telha. Nunca se fixa o gancho apenas na ripa fina, que não aguenta o arranque do vento e cede com o passar dos anos.
Como fixar em telha de fibrocimento?
No fibrocimento, o gancho dá lugar ao suporte em L, parafusado na terça de madeira ou metálica logo abaixo da telha. Fura-se a parte alta da onda, onde a água não empoça, e passa-se o parafuso prisioneiro até a terça (HCC Energia Solar, 2026). O ponto de ancoragem é a estrutura, nunca a telha sozinha.
O erro comum é furar na parte baixa da onda, que acumula água, ou apertar demais e trincar a telha, que é rígida e quebradiça. O suporte deve distribuir o esforço ao longo da peça para não concentrar tensão num ponto só (Neosolar, 2026). Fibrocimento anterior a 2017 pode conter amianto e exige cuidado redobrado ao perfurar.
Fixação em telhado metálico
Na telha metálica, o parafuso autobrocante com vedação integrada é a solução mais direta. Ele fura, rosqueia e comprime a própria arruela numa única operação, sempre na onda mais alta do perfil (Solar Brasil, 2026). Não depende de o instalador aplicar vedante à parte, o que reduz a chance de erro.
Telha metálica trapezoidal ou tipo sanduíche aceita o autobrocante direto, mas a espessura da chapa importa. Chapa fina precisa de reforço embaixo para o parafuso não espanar, e em telha termoacústica o parafuso tem que alcançar a estrutura, não parar no isolamento. O alumínio 6005-T6 ou 6063-T5 anodizado resiste bem à corrosão em contato com o aço da telha (Estruturas MLN, 2026). A mesma fixação firme é o que segura o módulo quando o granizo e o temporal castigam a cobertura.
Alguns telhados metálicos com costura em pé, o chamado standing seam, aceitam grampo que prende na dobra sem furar a chapa. É a fixação com menor risco de infiltração, porque não perfura a cobertura, mas depende de a telha ter o perfil certo para o grampo agarrar com firmeza. Onde o furo é inevitável, a arruela de vedação volta a ser a peça que decide se o telhado infiltra ou não.
Qual peça usar em cada telhado?
Cada cobertura tem uma peça e um ponto de fixação próprios. A lista abaixo resume o que se usa em cada telhado comum no Brasil, o local de ancoragem e o cuidado principal de cada tipo, do gancho ao parafuso.
- Telha cerâmica ou colonial: gancho regulável fixado no caibro de madeira, sem cortar a telha, com atenção para a telha não ficar apoiada sobre o gancho.
- Fibrocimento: suporte em L com parafuso prisioneiro na terça e furo na parte alta da onda, com risco de trinca e de amianto em telha antiga.
- Metálica: parafuso autobrocante com arruela de EPDM na onda alta, conferindo a espessura da chapa e o alcance até a estrutura.
- Laje: estrutura triangular com base parafusada e vedada, ou fixada com contrapeso, que permite ajustar a inclinação e a orientação do painel.
Como vedar o furo e evitar infiltração?
A vedação certa usa arruela de EPDM ou parafuso autobrocante com vedação integrada, nunca silicone de banheiro, que resseca e racha em menos de um ano de sol (Solar Brasil, 2026). A arruela custa de R$ 3 a R$ 8 por ponto, e um sistema de 12 módulos usa de 12 a 24 furos, conforme a estrutura.
A conta é simples: gastar de R$ 40 a R$ 200 em vedação num sistema de R$ 15 mil para cima evita forro empenado e telhado reaberto depois. O parafuso de qualidade é de aço inox AISI 304 ou 316, que resiste à corrosão sem comprometer a vedação (MTC Tools, 2026). Vale pedir foto de cada furo antes e depois da vedação.
Em telha de perfil irregular, como a ondulada de fibrocimento, vale reforçar a arruela com mástique de poliuretano ou fita butílica por cima do parafuso. O importante é usar material que aguente 25 anos de sol e chuva, resistente à radiação ultravioleta, nunca um improviso de obra que dura um verão só.
A vedação também protege a garantia da telha, que muitas vezes é anulada por furo fora da especificação do fabricante. Depois de instalado, uma rotina de manutenção e inspeção ajuda a flagrar mancha de umidade no forro nos primeiros meses, quando a falha de vedação costuma aparecer.
Quais normas a fixação precisa seguir?
A fixação segue quatro normas da ABNT: a NBR 6123, de forças de vento, a NBR 8800 e a NBR 14762, de estruturas de aço, e a NBR 16690, específica de sistemas fotovoltaicos, que exige peças resistentes à corrosão e trata da corrosão entre metais diferentes (Aldo Solar, 2026).
Antes de furar, uma avaliação estrutural confirma se o telhado aguenta o peso e a carga de vento da região, calculada pela isopleta brasileira na norma de vento (Canal Solar, 2026). Em obra formal, o projeto ainda pede a ART do responsável técnico, que registra quem assina o dimensionamento da estrutura.
A carga de vento muda muito pela região. No litoral e no Sul, a isopleta aponta ventos mais altos, o que pede mais pontos de fixação e, às vezes, contraventamento. No interior mais calmo, o mesmo módulo aceita um espaçamento maior entre ganchos, sempre dentro do limite que o cálculo da NBR 6123 permite para aquele telhado.
Fixação bem feita segura 25 anos de geração
Fixar bem é o que separa um sistema que gera por 25 anos de um telhado que infiltra na primeira chuva forte. A peça certa para cada telha, o furo vedado com EPDM e a estrutura ancorada na madeira ou na terça custam pouco perto do prejuízo de refazer. Feche o serviço só com fotos de cada ponto e o passo a passo de homologação em dia.
Ferramentas de projeto como as da Reonic ajudam o integrador a registrar a estrutura e o layout de fixação junto do dimensionamento, para o instalador levar ao telhado o plano certo e o número exato de pontos de ancoragem.
Perguntas frequentes
A placa solar pode ser fixada direto na telha?
Não. A estrutura tem que ser ancorada na parte estrutural do telhado, caibro, terça ou laje, porque o módulo pesa de 12 a 25 kg e ainda recebe carga de vento. Apoiar o suporte apenas sobre a telha faz a cobertura trincar e o sistema soltar no primeiro temporal mais forte.
Furar o telhado para fixar placa solar causa infiltração?
Só quando a vedação é malfeita. Com arruela de EPDM ou parafuso autobrocante com vedação integrada, o furo fica estanque por toda a vida do sistema. O problema aparece quando se usa silicone comum, que resseca e racha em menos de um ano de exposição direta ao sol.
Qual estrutura usar em telhado de fibrocimento?
O suporte em L, parafusado na terça de madeira ou metálica sob a telha, com o furo na parte alta da onda. O fibrocimento trinca fácil, então o aperto deve ser moderado e o esforço, bem distribuído. Telha anterior a 2017 pode conter amianto e pede cuidado extra na hora de perfurar.
Quanto pesa o sistema no telhado?
Painéis mais estrutura somam cerca de 15 kgf por metro quadrado, dentro da sobrecarga acidental de 25 kgf/m² que a NBR 8800 prevê para a maioria dos telhados. Ainda assim, uma avaliação estrutural prévia confirma se a sua cobertura aguenta a carga antes de qualquer furo.
Preciso de projeto e ART para fixar placas?
Sim, para sistemas conectados à rede. O projeto define a estrutura e a orientação, e a ART registra o responsável técnico pelo dimensionamento. Esses documentos entram na homologação junto à distribuidora, que é o que autoriza ligar o sistema e passar a receber os créditos de energia.






