Entender a conta de luz da Light com energia solar começa por separar dois blocos: a energia que você consome e a taxa de uso da rede. Em 2026 o kWh residencial da Light custa cerca de R$ 0,88 antes dos impostos, somando a TUSD e a TE, então cada linha da fatura tem um peso diferente na hora de conferir se o sistema solar está compensando de verdade (Calculadora de Energia, 2026).
A Light atende a região metropolitana do Rio de Janeiro e boa parte da Baixada Fluminense, e sua fatura segue o mesmo padrão nacional definido pela ANEEL, com pequenas diferenças de nomenclatura. Este guia mostra o que cada item significa, como aparece a compensação de créditos do seu sistema e por que a conta quase nunca chega a zero, mesmo com o telhado cheio de placas.
Principais pontos
- A conta da Light separa energia (TE) e uso da rede (TUSD), e a energia solar compensa as duas parcelas, mas não a mesma proporção.
- Em 2026 o kWh residencial da Light fica perto de R$ 0,88 antes de impostos, com TUSD por volta de R$ 0,58 e TE de R$ 0,30 (Calculadora de Energia, 2026).
- O Fio B, cobrado sobre a energia injetada, sobe para 60% em 2026 e reduz o valor de cada crédito compensado (pv magazine Brasil, 2026).
- Uma decisão judicial elevou o reajuste médio da Light para 16,69% a partir de março de 2026 (ANEEL, 2026).
- Nenhuma conta zera de verdade: a taxa mínima de disponibilidade continua sendo cobrada todo mês.
Como ler a conta da Light linha por linha
A conta da Light junta cinco grupos de valores: energia consumida em kWh, tarifas de uso da rede, tributos, contribuição de iluminação pública e a bandeira tarifária do mês. Pela REN 1.000/2021 da ANEEL, a fatura precisa mostrar TUSD e TE em linhas separadas, com tarifa unitária e quantidade (ANEEL, 2026).
O topo da fatura traz o seu consumo do mês em kWh e o histórico dos últimos doze meses, útil para comparar antes e depois do sistema solar. Logo abaixo vêm os itens tarifários, onde mora a maior parte da confusão. Vale ler cada linha com a fatura na mão, porque a mesma sigla aparece com valores diferentes conforme o mês e a bandeira.
A tabela abaixo resume os principais itens que você encontra na conta da Light.
- Consumo em kWh: a energia que passou pelo medidor no mês, base de quase todo o resto da conta.
- TUSD: tarifa de uso do sistema de distribuição, paga pelo uso dos fios, postes e transformadores da Light.
- TE: tarifa de energia, o custo da eletricidade que você de fato consumiu.
- Tributos: ICMS estadual e PIS e COFINS federais, calculados sobre o valor da energia.
- Iluminação pública: contribuição municipal cobrada junto com a conta, sem relação com o seu consumo.
- Bandeira tarifária: acréscimo ou não conforme a cor do mês, verde, amarela ou vermelha.
O que é TUSD e TE na conta da Light?
A TUSD e a TE são as duas tarifas que formam o preço do seu kWh. A TE, tarifa de energia, cobre a eletricidade que você consumiu, enquanto a TUSD, tarifa de uso do sistema de distribuição, remunera a rede que leva essa energia até a sua casa (Aldo Solar, 2026).
Na Light de 2026, a TUSD responde por volta de R$ 0,58 do kWh e a TE por cerca de R$ 0,30, ou seja, mais da metade do que você paga é uso da rede, não energia em si. Esse detalhe importa muito para quem tem solar, porque a energia injetada compensa as duas parcelas, mas a TUSD ainda carrega o Fio B, que é cobrado de volta.
Quem quiser o conceito destrinchado com exemplos encontra o passo a passo no guia de consumo de TUSD e TE na conta de luz. Entender essa divisão é o que separa quem lê a fatura de quem só olha o valor final.
O que muda na conta da Light com energia solar?
Com energia solar, a conta da Light passa a mostrar duas quantidades novas: a energia injetada na rede e os créditos usados para compensar o consumo. O sistema de compensação da Lei 14.300/2022 abate o que você gerou do que consumiu, e a fatura vira um encontro de contas em kWh, não só um valor cheio (Canal Solar, 2026).
Na prática, o que vemos com clientes da Light é uma conta que cai bastante no primeiro mês e depois estabiliza num valor mínimo. O sistema gera de dia, injeta o excedente na rede e gera créditos, que voltam para abater o consumo da noite e dos dias nublados. A leitura correta é acompanhar o saldo de créditos, não esperar a fatura chegar a zero.
O detalhe é que a compensação não é um desconto direto em reais. Ela acontece em quilowatt-hora, e o valor que cada kWh injetado abate depende da tarifa vigente e do Fio B daquele ano, tema da próxima seção. O guia de como funciona a energia solar na conta de luz detalha esse encontro de contas.
Como aparece a compensação de créditos solares na fatura
A compensação aparece na conta da Light como energia injetada e como energia compensada, geralmente em um quadro separado do consumo bruto. O medidor bidirecional registra o que entra e o que sai, e a Light abate os créditos do consumo do mês seguindo a ordem definida pela regulação (Canal Solar, 2026).
Os créditos que sobram não se perdem no mês. Eles ficam guardados por até 60 meses e podem abater o consumo de outra unidade do mesmo titular, no caso de autoconsumo remoto. Por isso vale conferir todo mês o saldo de créditos impresso na fatura, porque é ele que garante a economia nos meses de menor geração.
Um ponto que confunde muita gente é a diferença entre zerar o consumo e zerar a conta. Mesmo compensando todo o consumo de energia, a fatura ainda traz a taxa mínima e os tributos, que a próxima seção explica.
O que é o Fio B e quanto ele pesa em 2026?
O Fio B é a parcela da TUSD que remunera a infraestrutura de distribuição, e em 2026 ele passa a ser cobrado sobre 60% da energia que você injeta e compensa, contra 45% em 2025 (pv magazine Brasil. É a regra de transição da Lei 14.300 subindo 15 pontos por ano até 2028.
Na conta da Light isso significa que cada kWh que você injeta e compensa vale um pouco menos a cada ano, porque parte da TUSD volta a ser cobrada. Para um sistema instalado depois de janeiro de 2023, o Fio B de 2026 reduz a economia em comparação aos primeiros anos da microgeração, quando a compensação era quase integral.
A leitura prática é simples: consumir a energia na hora em que ela é gerada escapa do Fio B, porque essa energia nem chega a ser injetada. Uma casa que usa boa parte da geração durante o dia sente menos a cobrança. O guia de Fio B na energia solar mostra o cálculo completo dessa parcela.
Bandeiras tarifárias e outros itens da conta
As bandeiras tarifárias são acréscimos que a Light aplica conforme o custo de geração do país no mês, e vão do verde, sem custo extra, ao vermelho patamar 2, o mais caro (Light, 2026). A bandeira incide sobre o consumo não compensado, então quem tem solar sente menos o impacto nos meses de bandeira vermelha.
Além da bandeira, a conta ainda traz a contribuição de iluminação pública, cobrada pelo município e sem relação com o quanto você gera, e os tributos ICMS, PIS e COFINS. O ICMS no Rio de Janeiro incide sobre a energia consumida da rede, e a energia compensada por crédito costuma ficar fora dessa base, o que amplia a economia do sistema solar.
Vale acompanhar a bandeira mês a mês, porque ela explica boa parte da variação da conta entre um mês e outro, mesmo quando o consumo é parecido. O guia de bandeira tarifária traz os valores atualizados de cada cor.
Por que a conta da Light não zera mesmo com energia solar?
A conta da Light não zera porque existe um custo de disponibilidade mínimo, cobrado mesmo quando os créditos cobrem todo o consumo. Esse mínimo equivale a 30 kWh para ligação monofásica, 50 kWh para bifásica e 100 kWh para trifásica, um valor regulado que garante o acesso à rede (Canal Solar, 2026).
Some a isso a contribuição de iluminação pública e os tributos, e você tem uma fatura mínima que chega todo mês mesmo com o sistema gerando de sobra. Por isso a promessa de conta zero é enganosa: o certo é falar em conta reduzida ao mínimo, algo entre a taxa de disponibilidade e a soma dos itens fixos.
Entender esse piso ajuda a dimensionar o sistema sem exagero. Gerar muito além do consumo não elimina a taxa mínima, apenas acumula créditos que podem nem ser usados dentro do prazo de validade.
Reajuste da Light em 2026: o que esperar
O reajuste da Light em 2026 foi maior que o previsto. A ANEEL havia aprovado um efeito médio de 8,59%, mas uma decisão judicial elevou o reajuste para 16,69%, com vigência a partir de 15 de março de 2026 (ANEEL, 2026). O aumento atinge tanto a TUSD quanto a TE.
Para quem tem energia solar, um reajuste alto tem um lado positivo pouco intuitivo: quanto mais cara fica a tarifa, mais vale cada kWh que o seu sistema gera e compensa. O reajuste que pesa na conta do vizinho sem solar melhora o retorno de quem já investiu no telhado (Firjan, 2026).
Vale checar a fatura logo após a data de reajuste para entender o novo valor do kWh e recalcular a economia. Ferramentas de monitoramento ajudam a acompanhar geração e consumo lado a lado, e a Reonic mantém um painel que o integrador usa para mostrar ao cliente o efeito do reajuste sobre o retorno do sistema.
Perguntas frequentes
Quanto custa o kWh da Light em 2026? O kWh residencial da Light fica perto de R$ 0,88 antes dos impostos, somando TUSD de cerca de R$ 0,58 e TE de cerca de R$ 0,30. Com ICMS, PIS e COFINS o valor final por kWh sobe. A decisão judicial de março de 2026 elevou o reajuste médio para 16,69%, o que empurra esses valores para cima.
A energia solar zera a conta da Light? Não. A energia solar compensa o consumo em créditos de kWh, mas a Light continua cobrando a taxa mínima de disponibilidade, a iluminação pública e os tributos. O resultado é uma conta reduzida ao mínimo, não uma conta zero, mesmo quando o sistema gera mais do que a casa consome no mês.
O que é o Fio B na conta da Light? O Fio B é a parte da TUSD que remunera a rede de distribuição e é cobrada sobre a energia solar injetada e compensada. Em 2026 ele incide sobre 60% dessa energia, contra 45% em 2025, seguindo a regra de transição da Lei 14.300 até chegar a 100% em 2029.
Como vejo os créditos solares na fatura da Light? Os créditos aparecem em um quadro de compensação, com a energia injetada e a energia compensada em kWh, além do saldo acumulado. Esse saldo vale por até 60 meses e abate o consumo dos meses de menor geração. Vale conferir esse quadro todo mês para acompanhar a economia real.
Por que minha conta da Light variou se o consumo foi parecido? A variação costuma vir da bandeira tarifária do mês, que acrescenta um valor sobre o consumo não compensado, e de reajustes de tarifa. Meses de bandeira vermelha ficam mais caros que meses de bandeira verde, mesmo com consumo igual, e um reajuste no meio do ano muda o valor do kWh.






