Aumento de carga é o pedido formal para elevar a potência disponibilizada no seu imóvel junto à distribuidora, seja para ligar mais equipamentos, um carregador de carro elétrico ou um sistema solar maior. Até a soma de 50 kW o serviço costuma ser gratuito, desde que não exija acréscimo de fases em rede de tensão maior ou igual a 2,3 kV (REDEPARÁ, 2025).
Este guia explica, para o integrador e para o cliente, quando o aumento de carga é necessário, quanto custa, qual a diferença em relação à troca de padrão e como fazer o pedido nas quatro maiores distribuidoras: Cemig, Copel, Enel e Light. O objetivo é evitar surpresa de prazo e de custo no meio da obra.
Principais pontos
- Aumento de carga eleva a potência disponibilizada; a ligação pode continuar monofásica, bifásica ou trifásica, ou mudar de tipo conforme a necessidade (REDEPARÁ, 2025).
- Até 50 kW de acréscimo o pedido costuma ser gratuito pela Resolução Normativa ANEEL 1.000/2021, salvo necessidade de novas fases em média tensão (ANEEL, 2022).
- Trocar o padrão de entrada custa, em média, de R$ 2.500 (mono para bi) a R$ 5.000 (bi para tri) (Instel, 2025).
- Na energia solar, se a geração superar a potência disponível, você pede aumento da potência, ficando isento de aumentar a carga instalada (Enel, 2025).
- O parecer de acesso sai em até 15 dias para microgeração e 30 dias para minigeração (Copel, 2025).
O que é aumento de carga e quando você precisa dele?
Aumento de carga acontece quando o imóvel passa a exigir mais potência elétrica do que a contratada, por causa de novos equipamentos ou de uma expansão. O fornecimento pode manter o mesmo padrão (monofásico, bifásico ou trifásico) ou mudar de tipo, mas a capacidade total sobe (REDEPARÁ, 2025). É o primeiro passo antes de ligar cargas pesadas.
Os gatilhos mais comuns são chuveiro elétrico potente, ar-condicionado, forno, um carregador de carro elétrico ou um sistema fotovoltaico acima da potência já disponível. Sem o aumento, o disjuntor geral desarma ou a distribuidora nega a ligação. Por isso o pedido entra no planejamento da obra, não depois dela. Quem deixa para a última hora costuma parar a instalação esperando liberação.
Aumento de carga ou mudança de padrão: qual é a diferença?
São coisas ligadas, mas não iguais. Aumento de carga é o pedido administrativo de mais potência; a troca de padrão é a obra física no ramal de entrada, medidor e disjuntor para suportar essa potência (Instel, 2025). Muitas vezes um exige o outro, mas nem sempre: um pequeno aumento pode caber no padrão atual.
Na prática, o cliente pede o aumento de carga e a distribuidora responde se o padrão instalado aguenta. Se não aguentar, vem a exigência de trocar o padrão, com projeto e material a cargo do consumidor. Antecipar essa checagem evita que a obra pare esperando a troca do quadro de entrada, que é justamente onde o cronograma costuma escorregar.
- Monofásico (tipo B1): atende cargas leves; referência de mercado até cerca de 8 a 12 kWp de solar (CustoSolar, 2025).
- Bifásico (tipo B2): cargas médias; referência de mercado até cerca de 20 a 25 kWp.
- Trifásico (tipo B3): cargas pesadas e sistemas maiores; referência até cerca de 75 kWp.
- Regra prática: o limite real depende da norma técnica de cada distribuidora, não só do tipo de ligação.
Quanto custa e quando o aumento de carga é gratuito?
O acréscimo de carga até 50 kW costuma ser gratuito pela Resolução Normativa ANEEL 1.000/2021, desde que não seja preciso acrescer fases em rede de tensão maior ou igual a 2,3 kV (REDEPARÁ, 2025). O que gera custo para o cliente é a obra do padrão de entrada, quando ela é exigida.
Trocar o padrão sai, em média, de R$ 2.500 na passagem de monofásico para bifásico a R$ 5.000 de bifásico para trifásico (Instel, 2025). Some material, mão de obra do eletricista e a ART do responsável técnico. O aumento de carga em si, dentro do limite gratuito, não deveria pesar na conta, e vale conferir esse ponto no orçamento antes de assinar.
Como solicitar o aumento de carga passo a passo
O processo é padronizado pelo PRODIST da ANEEL e segue a mesma lógica em todas as distribuidoras, com pequenas variações de portal e documento (ANEEL, 2022). O caminho abaixo funciona para a maioria dos casos residenciais e comerciais de baixa tensão, e deve ser iniciado antes de comprar os equipamentos pesados.
- Levante a carga total pretendida em kW, somando os equipamentos atuais e os novos.
- Confira o padrão de entrada instalado e se o disjuntor geral suporta a nova carga.
- Abra o pedido de aumento de carga no canal da distribuidora (app, portal ou agência).
- Se exigido, contrate o projeto do novo padrão com ART e execute a obra do ramal de entrada.
- Aguarde a vistoria e a religação com a nova potência disponibilizada registrada.
Uma observação de campo: peça sempre o número de protocolo e guarde o comprovante. Quando o cliente instala solar junto, o mesmo processo pode ser resolvido dentro do pedido de acesso, o que evita abrir duas solicitações e esperar dois prazos separados. Esse detalhe simples costuma economizar semanas.
Antes de abrir o pedido, meça a corrente do disjuntor geral e confirme a bitola do ramal de entrada. Muita solicitação volta porque a carga informada não bate com a fiação instalada, e a distribuidora pede correção. Levar fotos do padrão atual e do medidor agiliza a análise e reduz idas e vindas com o atendimento técnico.
Aumento de carga e energia solar: o elo com a potência disponibilizada
Na energia solar, o gatilho é claro: se a potência do gerador ultrapassa a potência já disponível na unidade, o cliente deve solicitar aumento da potência disponibilizada, ficando isento de aumentar a carga instalada (Enel, 2025). Isso costuma ser tratado dentro do parecer de acesso.
A microgeração vai até 75 kW e entra pela geração distribuída (RGE, 2025). Quando o projeto fotovoltaico é bem dimensionado, o integrador já prevê a potência necessária e resolve carga e acesso num pedido só, o que se conecta ao projeto do sistema e ao impacto na tarifa.
Vale separar dois números que confundem o cliente: a carga instalada, que é a soma dos equipamentos, e a potência disponibilizada, que é o limite contratado com a distribuidora. No solar, o que sobe é a potência disponibilizada para caber o gerador, sem obrigar o aumento da carga instalada. Explicar essa diferença na proposta evita que o cliente ache que vai pagar mais na conta todo mês só por ter pedido o aumento.
Aumento de carga por distribuidora: Cemig, Copel, Enel e Light
O procedimento muda pouco entre distribuidoras, mas o canal e os documentos variam. A Copel trata o tema como troca de padrão no site de distribuição (Copel, 2025), enquanto Cemig e Enel concentram as dúvidas de carga e geração nas páginas de geração distribuída (Cemig, 2025). Verifique sempre a norma técnica local antes de dimensionar o padrão.
- Cemig (MG): pedido pelo canal de geração distribuída e atendimento, com dúvidas de carga na página oficial (Cemig, 2025).
- Copel (PR): tratado como troca de padrão na área de distribuição, com orientação de projeto (Copel, 2025).
- Enel (SP, RJ, CE): aumento de potência disponibilizada vinculado ao acesso da geração distribuída (Enel, 2025).
- Light (RJ): pedido pelos canais de atendimento; confirme a norma de entrada vigente para o tipo de ligação antes da obra.
Prazos: quanto tempo a distribuidora leva?
Para quem instala solar, o prazo que mais importa é o do parecer de acesso: até 15 dias para microgeração e 30 dias para minigeração, podendo chegar a 30 dias na micro quando há obra de reforço na rede (Copel, 2025). O aumento de carga puro tende a ser mais rápido quando não exige troca de padrão.
Some a esses prazos o tempo de projeto e de obra do padrão, quando ela é necessária, além da vistoria final. Em campo, o que mais atrasa não é o deferimento da distribuidora, é a documentação incompleta ou o padrão subdimensionado que volta para correção. Enviar tudo certo na primeira vez encurta o ciclo e evita uma segunda visita técnica.
Perguntas frequentes sobre aumento de carga
As dúvidas abaixo cobrem as quatro maiores distribuidoras e os pontos que mais geram retrabalho no pedido de aumento de carga. Confirme sempre o canal e a norma técnica atual da sua distribuidora antes de abrir a solicitação.
Como solicitar aumento de carga na Cemig?
Na Cemig, o pedido é feito pelos canais de atendimento e, quando ligado a solar, pela área de geração distribuída, onde ficam as dúvidas de carga e potência (Cemig, 2025). Tenha em mãos a carga total pretendida e o padrão instalado. Se o padrão não suportar a nova potência, a Cemig exige a troca com projeto e ART antes da religação.
Como pedir aumento de carga na Copel?
A Copel trata o assunto como troca de padrão na área de distribuição do site, com projeto e material por conta do cliente (Copel, 2025). O passo a passo é o mesmo: levantar a carga, abrir o pedido, executar a obra do padrão se exigida e aguardar a vistoria. Para solar, resolva carga e acesso no mesmo pedido de geração distribuída.
Como funciona o aumento de carga na Light?
Na Light, o aumento de carga é solicitado pelos canais de atendimento ao cliente, com a mesma lógica das demais distribuidoras. Confirme a norma de entrada vigente para o seu tipo de ligação, porque ela define se o padrão atual aguenta a nova potência ou se será preciso trocar o quadro de entrada antes de ligar as novas cargas.
Como pedir aumento de carga na Enel?
Na Enel, o aumento aparece como aumento de potência disponibilizada e, no caso de solar, fica vinculado ao acesso da geração distribuída, com isenção de aumentar a carga instalada (Enel, 2025). O pedido é digital na maioria das áreas de concessão. Informe a potência do gerador e a carga pretendida para a análise correta.
O aumento de carga sempre é cobrado?
Não. Até 50 kW de acréscimo o serviço tende a ser gratuito pela Resolução Normativa ANEEL 1.000/2021, salvo necessidade de novas fases em média tensão (REDEPARÁ, 2025). O custo que aparece é o da troca de padrão, quando exigida, entre R$ 2.500 e R$ 5.000 em média, mais projeto e ART (Instel, 2025).
Conclusão: planeje a carga antes da obra
Resolver o aumento de carga cedo evita disjuntor desarmando, obra parada e cliente frustrado. Levante a carga total, confira o padrão, cheque o limite gratuito de 50 kW e, quando houver solar, una carga e acesso num pedido só. Esse cuidado simples encurta prazo e protege o orçamento.
Para quem projeta e homologa sistemas em várias distribuidoras, uma plataforma como a Reonic ajuda a padronizar o levantamento de carga e a documentação de acesso, reduzindo o risco de padrão subdimensionado no meio da obra.






