Sim, a placa solar resiste a granizo dentro de um limite definido: os módulos certificados passam pelo teste da norma IEC 61215, que lança bolinhas de gelo de 25 mm a 23 m/s (cerca de 83 km/h) contra o vidro, e o painel só é aprovado se o vidro permanecer intacto (Solfácil, 2026). Na maioria das chuvas de granizo comuns no Brasil, o vidro temperado do módulo aguenta sem trincar.
O problema aparece nos eventos severos. Granizo de verdade no Sul, no Triângulo Mineiro e em partes do Centro-Oeste costuma ter pedras de 30 a 50 mm, acima do que o teste padrão simula. Este guia explica o que a certificação cobre, até que tamanho o painel aguenta, por que a garantia do fabricante não paga o conserto e quando o seguro fotovoltaico compensa.
Resumo rápido
- O teste de granizo da IEC 61215 usa pedra de gelo de 25 mm a 83 km/h, e o vidro precisa ficar inteiro para o módulo ser aprovado (Solar Brasil, 2026).
- Granizo severo no Brasil chega a 30 a 50 mm, tamanho que pode quebrar o vidro temperado do módulo.
- A garantia do fabricante cobre defeito de fabricação, não dano climático como granizo.
- O granizo é a principal causa de sinistro em sistemas fotovoltaicos no país (Solar Brasil, 2026).
- O seguro fotovoltaico costuma custar entre 0,5% e 2% do valor do sistema por ano e precisa listar granizo de forma explícita.
Placas solares resistem a granizo?
Sim, dentro do limite que a certificação testa. Um módulo aprovado na IEC 61215 suporta o impacto de pedras de gelo de 25 mm de diâmetro a 23 m/s sem quebrar o vidro, o que cobre a grande maioria das chuvas de granizo leves e médias (Solfácil, 2026). O vidro frontal é temperado justamente para absorver esse tipo de choque.
O que muda o jogo é o tamanho da pedra. Chuvas leves com granizo pequeno raramente causam dano. Já um temporal severo, com pedras grandes e vento forte, pode ultrapassar o que o painel foi projetado para aguentar. Por isso a resposta honesta não é um sim absoluto, e sim um sim condicionado ao tamanho do granizo e à qualidade do módulo.
O que o teste IEC 61215 realmente garante
A IEC 61215 é a norma internacional que qualifica módulos fotovoltaicos de silício cristalino, e o ensaio de granizo é um dos itens obrigatórios. Ele dispara onze bolinhas de gelo de 25 mm a 23 m/s em pontos diferentes do módulo, incluindo cantos e bordas, que são as regiões mais frágeis (Solar Brasil, 2026).
O detalhe que quase ninguém explica é que a certificação garante resistência até 25 mm, não acima disso. Se o granizo do seu temporal tinha 30 ou 40 mm, o painel pode quebrar sem que isso signifique defeito. Antes de comprar, vale confirmar no laudo do fabricante e no registro do Inmetro que o modelo passou pelo ensaio, e guardar essa documentação junto com o projeto e a ART do instalador.
Até que tamanho de granizo o painel aguenta?
O painel certificado aguenta com folga o granizo de até 25 mm, que é o padrão do ensaio, e módulos de boa procedência resistem a pedras de gelo em alta velocidade nessa faixa. Acima de 30 mm, o risco de trinca no vidro temperado cresce rápido, e pedras de 40 a 50 mm, comuns em temporais severos do Sul e do Centro-Oeste, frequentemente vencem a resistência do módulo (Solarvolt, 2026).
Vale separar dois efeitos. Um deles é a quebra visível do vidro, fácil de identificar. O outro são as microfissuras nas células, que não aparecem a olho nu mas reduzem a geração ao longo do tempo. Por isso, depois de um temporal forte, faz sentido pedir uma inspeção mesmo que o vidro pareça inteiro.
A norma IEC TS 63397 e o granizo grande
Existe uma especificação técnica complementar, a IEC TS 63397, criada justamente para regiões de granizo severo. Ela testa o impacto com pedras maiores, chegando a 45 mm, bem acima dos 25 mm do ensaio padrão (Solar Brasil, 2026). Um módulo aprovado nessa norma oferece margem real para quem mora em áreas de tempestade frequente.
O problema é a disponibilidade. Poucos fabricantes fazem esse ensaio adicional, então o módulo com selo IEC TS 63397 ainda é minoria no mercado brasileiro. Se você atua ou mora no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, no Paraná ou no Triângulo Mineiro, perguntar ao fornecedor se o modelo tem esse teste é uma diferenciação que vale o esforço. O laudo costuma indicar a classe de granizo suportada, e comparar essa classe entre dois fornecedores antes de fechar é uma checagem rápida que pode evitar um prejuízo grande depois do primeiro temporal severo.
A garantia do fabricante cobre granizo?
Não. A garantia do fabricante cobre defeito de fabricação e queda de rendimento fora da curva prometida, mas não dano causado por evento climático como granizo, vendaval ou queda de árvore (Suprasolar, 2026). Essa é a confusão mais cara do setor: o cliente acha que a garantia de 25 anos o protege contra a natureza, e descobre o contrário justamente quando precisa acionar.
Há ainda um agravante técnico. Se a perícia identificar que o granizo tinha 30 mm ou mais, o fabricante pode negar qualquer pedido sem ferir o contrato, porque o dano ocorreu acima do limite testado. Ou seja, a única proteção financeira real contra granizo grande é um seguro específico, não a garantia que veio com o painel.
Quando o seguro fotovoltaico vale a pena
O seguro fotovoltaico é o que efetivamente cobre granizo, e o granizo é a principal causa de sinistro em sistemas solares no Brasil, tendo destruído milhares de instalações em 2024 no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, no Paraná, no interior de São Paulo e em Minas Gerais (Solar Brasil, 2026). Para quem mora em região de tempestade, deixar o sistema sem seguro é assumir um risco alto.
O prêmio costuma ficar entre 0,5% e 2% do valor do sistema por ano, e fica mais barato quando o local tem boa proteção e baixa exposição a temporais. O ponto de atenção é a letra miúda: a cobertura de eventos da natureza precisa listar granizo de forma explícita, porque em algumas apólices ele aparece como exclusão separada que exige endosso adicional (E4 Renováveis, 2026).
Antes de fechar, leia também a franquia e o critério de indenização. Uma apólice barata com franquia alta pode deixar o pequeno dano por sua conta e só valer em perda total, enquanto uma cobertura a valor de reposição costuma pagar a troca dos módulos pelo preço de mercado atual. Para o integrador, oferecer o seguro junto com o projeto vira argumento de venda em regiões de granizo, porque tira do cliente o medo que mais trava a compra. Vale confirmar se a apólice cobre também os equipamentos internos, como inversor e string box, e não apenas os painéis.
Como reduzir o risco de danos por granizo
Dá para diminuir a probabilidade de prejuízo antes mesmo de contratar seguro. Comece pela escolha do módulo: prefira fabricantes que publicam o laudo de granizo e, em áreas críticas, o teste IEC TS 63397. A instalação também conta, já que um ângulo de inclinação maior faz a pedra de gelo bater de raspão em vez de atingir o vidro de frente, reduzindo a energia do impacto.
O restante é rotina de operação e manutenção. Depois de instalar e homologar o sistema, mantenha um registro de inspeções, guarde as notas fiscais, o projeto e a ART do instalador, e agende uma verificação após cada temporal forte. Esse cuidado agiliza qualquer acionamento de seguro e ajuda a flagrar microfissuras cedo. Nosso guia de como fazer a homologação de energia solar mostra quais documentos organizar já na entrada do sistema.
Placa quebrada por granizo ainda gera energia?
Depende do dano. Um vidro trincado pode continuar gerando por um tempo, mas a fissura deixa entrar umidade, o que acelera a corrosão dos contatos e derruba a produção mês a mês. Um painel com o vidro estilhaçado ou com muitas microfissuras perde rendimento e vira ponto de risco elétrico, então não deve ser mantido em operação sem avaliação técnica.
Vale lembrar que geração e clima não andam sempre juntos. A placa gera menos em dia nublado ou de chuva, mas isso é redução temporária, não dano. Já o granizo severo é um evento pontual que pode causar perda permanente. Confundir os dois leva muita gente a subestimar o risco real, que é o impacto físico da pedra de gelo, não a nuvem. Depois de um evento, avalie também o efeito na geração e na sua conta de luz com energia solar.
Perguntas frequentes
Todo painel solar é testado contra granizo?
Todo módulo com certificação IEC 61215 e registro no Inmetro passou pelo ensaio de granizo de 25 mm. O que varia é a resistência acima desse limite. Módulos que também têm a IEC TS 63397 foram testados com pedras maiores, de até 45 mm, e oferecem mais margem em regiões de temporal severo. Confirme sempre no laudo do fabricante.
Granizo pequeno estraga a placa solar?
Granizo pequeno, abaixo de 25 mm, raramente causa dano em um módulo certificado, porque é exatamente o cenário que o ensaio simula. O risco cresce com pedras maiores e vento forte, que aumentam a energia do impacto. Ainda assim, vale inspecionar o sistema após qualquer temporal intenso para descartar microfissuras que não aparecem a olho nu.
O que fazer se o granizo quebrar minha placa solar?
Registre o evento com fotos, guarde a data e os dados do temporal e acione o seguro fotovoltaico, não a garantia do fabricante. Peça uma inspeção técnica para medir a perda de geração e identificar microfissuras. Ter em mãos o projeto, a ART e as notas fiscais agiliza a perícia e reduz a chance de recusa da seguradora.
Vale a pena instalar rede ou tela de proteção contra granizo?
Telas e redes ajudam pouco contra granizo grande, porque a pedra de gelo em alta velocidade rompe a maioria das proteções leves e ainda pode danificar a estrutura. O caminho mais eficaz combina módulo resistente, ângulo de instalação adequado e seguro com cobertura explícita de granizo. Barreiras físicas fazem mais sentido contra folhas e sujeira do que contra impacto severo.
Onde o granizo é mais perigoso para energia solar no Brasil?
O risco é maior no Sul, com Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, e em partes do Centro-Oeste, do Triângulo Mineiro e do interior de São Paulo, onde os temporais trazem pedras de 30 a 50 mm. Nessas regiões, escolher módulo com teste de granizo reforçado e contratar seguro deixa de ser opcional e vira parte do projeto.






