A string box é o quadro que protege o lado de corrente contínua do sistema fotovoltaico, e a NBR 16690 exige fusível de string sempre que houver três ou mais séries em paralelo (Canal Solar, 2025). Instalada entre os módulos e o inversor, ela reúne o dispositivo de proteção contra surtos, a proteção de sobrecorrente e a chave seccionadora dentro de um único invólucro.
Para o integrador, dominar esse componente evita dois erros caros. Superdimensionar a proteção encarece o orçamento sem ganho real, enquanto subdimensionar coloca a instalação em risco e trava a vistoria. Este guia explica o que a string box tem dentro, quando ela é obrigatória e como dimensionar cada parte segundo as normas brasileiras vigentes em 2026.
Principais pontos
- A string box abriga DPS, fusível ou disjuntor e chave seccionadora do lado CC, entre os painéis e o inversor.
- A NBR 16690 torna o fusível de string obrigatório a partir de três séries em paralelo.
- Para instalação externa, o grau de proteção mínimo recomendado é IP55, sendo o IP65 o mais indicado.
- Os fusíveis devem ser do tipo gPV, próprios para corrente contínua fotovoltaica.
- A NBR 17193, de 2025, tornou o AFCI obrigatório, mas ele não substitui a string box.
O que é uma string box?
Uma string box, também chamada de caixa de proteção CC, é o quadro instalado entre os painéis e o inversor que concentra a proteção da corrente contínua. Ela abriga o DPS, a proteção de sobrecorrente e a chave seccionadora, permitindo isolar o arranjo fotovoltaico com segurança durante a manutenção (Canal Solar, 2025).
O nome vem do inglês string, que designa cada série de módulos ligados em sequência. Quando várias séries chegam ao inversor, elas passam primeiro pela string box, que faz o paralelismo e protege o circuito. Sem ela, uma falha em uma série pode se propagar para as demais e gerar risco de incêndio.
A string box não gera energia nem melhora o desempenho dos módulos. Sua função é de segurança, e por isso ela aparece já na fase de projeto elétrico. Vale integrar essa escolha ao projeto fotovoltaico desde o início, junto do dimensionamento de cabos e do inversor.
Componentes da string box: o que tem dentro
Uma string box típica reúne quatro elementos: o dispositivo de proteção contra surtos, a proteção de sobrecorrente por fusível ou disjuntor, a chave seccionadora e o barramento de conexão. Cada peça atende a uma norma específica e precisa ser compatível com a tensão do sistema (Solfácil, 2025).
O DPS, em geral classe II, é ligado entre os condutores e o aterramento. Ele desvia para a terra as sobretensões causadas por descargas atmosféricas, protegendo o inversor e os módulos. É um dos componentes mais importantes em regiões de alta incidência de raios, comuns em boa parte do Brasil.
O fusível protege contra sobrecorrente e curto-circuito. Em sistemas fotovoltaicos, ele deve ser do tipo gPV, próprio para operar em corrente contínua nas tensões típicas do arranjo (Canal Solar, 2025). O porta-fusível permite a troca com segurança, e há modelos de string box com e sem fusível, conforme o número de strings (Clamper, 2025).
A chave seccionadora interrompe o circuito sob carga e isola o arranjo do inversor. Pela NBR 16690, ela não pode ter partes metálicas expostas e deve suportar a plena carga e as correntes de falta do arranjo (Canal Solar, 2025). É o que permite trabalhar no sistema com segurança.
A tabela abaixo resume a função de cada componente.
- DPS classe II: desvia as sobretensões de descargas atmosféricas para o aterramento.
- Fusível gPV e porta-fusível: protege contra sobrecorrente e curto-circuito no lado CC.
- Chave seccionadora CC: isola o arranjo do inversor sob carga, sem partes metálicas expostas.
- Barramento e invólucro IP: conecta as strings e protege contra poeira e água.
String box CC e string box CA: entenda a diferença
A string box CC protege o lado de corrente contínua, entre os módulos e o inversor, onde a tensão pode passar de 1000 V. A string box CA protege o lado de corrente alternada, entre o inversor e o quadro do imóvel. As duas usam DPS e seccionamento, mas com componentes dimensionados para cada tipo de corrente (CustoSolar, 2025).
A maior parte do risco está no lado CC. A corrente contínua não passa por zero como a alternada, então um arco elétrico em CC tende a se manter e é mais difícil de extinguir. Por isso a string box CC recebe atenção especial das normas e concentra a maioria dos requisitos técnicos.
Em sistemas menores, a proteção CA pode ficar no próprio quadro de distribuição, com disjuntor e DPS adequados. Já a proteção CC quase sempre exige a string box dedicada. Essa lógica aparece também na conexão com a rede e na geração distribuída, em que a distribuidora avalia o projeto de proteção.
Quando a string box é obrigatória?
A string box é obrigatória para as funções de proteção contra surtos e seccionamento seguro, exigidas pelas normas NBR 16690 e NR-10. O fusível de string, por sua vez, torna-se indispensável a partir de três séries em paralelo, quando a corrente das outras strings pode alimentar uma falha (Renovera, 2025).
Há uma exceção comum. Se o inversor já atende aos requisitos de seccionamento e de proteção de sobrecorrente para o número de strings usado, um dispositivo externo pode não ser necessário para essa função (Canal Solar, 2025). Ainda assim, o DPS e o seccionamento seguro permanecem exigidos, e a string box segue como o caminho mais simples.
O fusível de string só é obrigatório quando a corrente do conjunto em paralelo supera a máxima corrente reversa suportada pela série. Duas séries idênticas com Isc de 9 A e suporte reverso de 15 A podem ser paralelizadas sem fusível (Canal Solar, 2025). A partir de três séries, a conta muda e a proteção passa a ser necessária.
Como dimensionar a string box
Dimensionar a string box significa escolher componentes compatíveis com a tensão, a corrente e o número de séries do sistema. Todos os elementos, do fusível ao DPS, precisam suportar a tensão máxima do arranjo, que hoje costuma ser de 1000 V ou 1500 V (Canal Solar, 2025). O passo seguinte é a corrente de cada string.
A tensão de projeto considera a tensão de circuito aberto dos módulos no dia mais frio, quando ela atinge o valor máximo. Sistemas de 1500 V usam menos strings, fusíveis e cabos, o que reduz a mão de obra, apesar do custo maior por componente (Canal Solar, 2025). A escolha depende da escala do projeto.
A corrente do fusível fica acima da Isc do módulo e abaixo da capacidade do cabo. Os fusíveis gPV têm corrente de não fusão de 1,13 vez a nominal e fusão em uma hora a 1,35 vez a nominal (Canal Solar, 2025). Essa margem evita que o fusível queime com a corrente normal de operação.
O número de entradas e saídas define o modelo. Uma string box 2E/2S atende duas séries independentes, enquanto uma 6E/1S reúne seis séries num único inversor. Deixar uma entrada reserva facilita futuras ampliações e é uma prática de campo que economiza retrabalho.
Na hora de especificar, alguns critérios se repetem em quase todo projeto:
- Tensão do sistema: componentes para 1000 V ou 1500 V, conforme a tensão de circuito aberto no frio.
- Corrente do fusível gPV: acima da Isc do módulo e abaixo do limite do cabo.
- Número de entradas: uma por série, com folga para ampliação futura.
- Grau de proteção IP: IP55 no mínimo em área externa, IP65 preferível.
- DPS: classe II, compatível com a tensão máxima do arranjo.
O que as normas NBR 16690 e NBR 5410 exigem?
A NBR 16690, publicada em 2019, define os requisitos de projeto dos arranjos fotovoltaicos, incluindo meios de manobra, proteção de sobrecorrente e seccionamento. A NBR 5410 trata das instalações elétricas de baixa tensão e complementa as exigências do lado CA (Canal Solar, 2025). Juntas, elas formam a base técnica da string box.
Em fevereiro de 2025, a ABNT publicou a NBR 17193, focada em segurança contra incêndio. Ela tornou obrigatório o dispositivo de proteção contra arco elétrico, o AFCI, para circuitos CC acima de 120 V e 20 A (Renovera, 2025). Desde dezembro de 2024, só podem ser vendidos inversores certificados com AFCI ou formalmente isentos.
O AFCI não elimina a string box. Ele adiciona uma camada contra arcos elétricos, que podem passar de 3000 graus e iniciar um incêndio em segundos (Renovera, 2025). As proteções clássicas contra surtos e sobrecorrentes continuam necessárias, assim como o desligamento rápido exigido pela mesma norma.
Instalação e grau de proteção: por que o IP importa?
O grau de proteção IP indica a resistência do invólucro contra poeira e água. Para string box em ambiente externo, o mínimo recomendado é IP55, sendo o IP65 o mais indicado, por vedar melhor e resistir aos raios ultravioleta (CustoSolar, 2025). A caixa costuma ficar na parede externa, perto do inversor.
Na prática de campo, vale posicionar a string box em local abrigado do sol direto sempre que possível. O calor excessivo reduz a vida útil do DPS e dos fusíveis. Um beiral ou uma pequena cobertura já ajudam bastante, sem comprometer o acesso para manutenção.
A fixação e a entrada de cabos também importam. Prensa-cabos bem vedados mantêm o grau IP, e a passagem de cabos por baixo evita o acúmulo de água. Esses detalhes aparecem pouco nas normas, mas fazem diferença na durabilidade, sobretudo em sistemas com baterias e mais eletrônica exposta.
String box no projeto fotovoltaico
A string box é uma peça pequena com peso grande na segurança e na aprovação do sistema. Escolhê-la bem depende de conhecer a tensão, a corrente e as normas aplicáveis, e de integrar essa decisão ao projeto elétrico completo, sem deixá-la para o fim da obra.
Documentar a escolha da proteção ajuda na vistoria e no parecer de acesso junto à distribuidora. Um projeto que mostra fusível, DPS e seccionamento corretos passa com menos pendências. Ferramentas de dimensionamento, como as da Reonic, ajudam a padronizar essa etapa e a reduzir erros de especificação.
Perguntas frequentes
A string box é obrigatória em todo sistema solar?
A string box não é obrigatória por lei em todo caso, mas as funções que ela cumpre são. O DPS e o seccionamento seguro são exigidos pela NBR 16690 e pela NR-10, e o fusível de string passa a ser necessário a partir de três séries em paralelo. Na prática, quase todo sistema usa uma.
Qual a diferença entre string box CC e CA?
A string box CC protege o trecho entre os módulos e o inversor, onde a tensão contínua pode passar de 1000 V. A string box CA protege o trecho entre o inversor e o quadro do imóvel. A proteção CC é mais crítica, porque o arco em corrente contínua é mais difícil de extinguir.
Que tipo de fusível usar na string box?
O fusível deve ser do tipo gPV, projetado para corrente contínua nas tensões típicas de sistemas fotovoltaicos. Ele tem corrente de não fusão de 1,13 vez a nominal e fusão em uma hora a 1,35 vez a nominal. A corrente escolhida fica acima da Isc do módulo e abaixo da capacidade do cabo.
Qual grau de proteção IP a string box precisa ter?
Para instalação externa, o grau de proteção mínimo recomendado é IP55, e o IP65 é o mais indicado. O IP65 veda melhor contra poeira e água e costuma trazer material resistente a raios ultravioleta. Como a caixa fica na parede externa, perto do inversor, essa vedação prolonga a vida útil dos componentes.
O AFCI do inversor substitui a string box?
Não. O AFCI, obrigatório pela NBR 17193 desde 2025, detecta arcos elétricos e reduz o risco de incêndio, mas atua em outra frente. As proteções contra surtos e sobrecorrentes e o seccionamento seguro continuam necessários. Por isso a string box segue como componente essencial, mesmo em inversores modernos com AFCI integrado.






