Fazer um curso de instalador de energia solar é o caminho mais rápido para entrar em um setor que já acumula 2 milhões de empregos no Brasil (Canal Solar, 2025). Mas o curso de instalação, sozinho, não basta: você precisa também das normas de segurança NR-10 e NR-35, e a NR-35 mudou em 2026. Este guia mostra o que estudar, em que ordem e o que a lei passou a exigir.
O objetivo aqui é prático. Em vez de listar cursos, explicamos o que cada formação habilita você a fazer, quanto tempo leva, o que virou obrigatório e onde ficam os limites entre instalar, projetar e homologar. Assim você monta um caminho de qualificação sem gastar com curso que não precisa nem pular etapa que a fiscalização cobra.
Principais pontos
- O curso de instalador ensina montagem, medição e conexão, e costuma durar cerca de 24 horas entre teoria e prática (Instituto da Construção, 2025).
- A NR-35 é obrigatória para trabalho em altura acima de 2 metros e exige no mínimo 8 horas com parte prática (Tecnoseg, 2025).
- Desde a Portaria MTE 1.259/2026, o treinamento de NR-35 precisa ser 100% presencial (LegisWeb, 2026).
- A NR-10 básica exige carga horária mínima de 40 horas em baixa tensão (Engehall, 2026).
- Instalar não é o mesmo que projetar: o projeto e a entrada na distribuidora exigem engenheiro ou técnico com registro no CREA (Curso NR10, 2025).
O trabalho do instalador de energia solar
O instalador de energia solar é quem executa a montagem física do sistema fotovoltaico: fixação das estruturas, instalação dos módulos, passagem de cabos, ligação do inversor e testes de conexão (Instituto da Construção, 2025). É um trabalho de campo, feito em telhados e quadros elétricos, com risco elétrico e de altura.
Por isso a função exige duas camadas de qualificação. A primeira é técnica, sobre como instalar corretamente, e vem do curso de instalador. A segunda é de segurança, exigida por lei para trabalhar em altura e com eletricidade, e vem das normas regulamentadoras. Sem as duas, você até monta o sistema, mas fica exposto a acidente e a autuação.
Na rotina, o dia do instalador é físico e variado. Ele começa com a conferência dos materiais e dos EPIs, segue com a fixação da estrutura no telhado, a colocação dos módulos e a passagem de cabos até o inversor, e termina com testes e comissionamento. Boa parte dos erros que geram retrabalho aparece aqui: furação errada, aperto fora do torque e conector mal crimpado. Por isso o curso com prática de campo vale mais do que qualquer aula só teórica.
Qual curso de instalador de energia solar fazer?
O curso de instalador fotovoltaico cobre dimensionamento básico, montagem de estruturas, instalação de módulos e inversores, medições e conexão à rede. A maioria dos cursos livres entrega esse conteúdo em cerca de 24 horas, somando aulas teóricas e práticas (Instituto da Construção, 2025). Não existe um curso técnico obrigatório por lei para apenas instalar.
Escolha um curso que inclua prática real de montagem, não só teoria. A parte prática é o que separa quem sabe explicar de quem sabe subir no telhado e entregar. Vale também verificar se o curso já embute a NR-35, o que muitos fazem, porque assim você resolve a formação técnica e a de altura no mesmo pacote. Depois do curso, o próximo passo é dominar o projeto fotovoltaico para entender o sistema de ponta a ponta.
Preciso de NR-10 e NR-35 para instalar energia solar?
Sim. As duas normas são exigidas porque a instalação envolve eletricidade e trabalho em altura. A NR-35 é obrigatória para qualquer atividade acima de 2 metros e pede carga horária mínima de 8 horas, com parte prática usando EPI real (Tecnoseg, 2025). A NR-10, voltada à segurança elétrica, tem carga mínima de 40 horas no módulo básico de baixa tensão (Engehall, 2026).
Essas normas não são burocracia opcional. Elas definem se você pode legalmente subir no telhado e mexer no quadro, e a ausência delas costuma ser o primeiro item que uma contratante ou fiscal verifica. A NR-35 ainda exige reciclagem a cada 2 anos, então não é um certificado que você tira uma vez e esquece (Engehall, 2026).
Há também um cuidado prático com prazos e comprovação. Guarde os certificados digitalizados e anote as datas de reciclagem, porque uma NR vencida invalida sua habilitação na hora e pode parar uma obra. Empresas contratantes costumam pedir os comprovantes antes de liberar o acesso ao canteiro, e a falta de um documento em dia é motivo comum de perda de serviço. Tratar a segurança como parte do serviço, e não como formalidade, é o que separa o profissional que dura no mercado.
O que mudou na NR-35 em 2026?
A NR-35 passou a exigir treinamento presencial. A Portaria MTE nº 1.259/2026, publicada em 16 de julho de 2026, tornou obrigatória a modalidade 100% presencial para todo treinamento da norma, inicial ou de reciclagem (LegisWeb, 2026). Conteúdo digital só vale como apoio, não substitui as horas presenciais.
Isso muda a escolha do curso agora. Certificados de NR-35 feitos totalmente online a partir dessa data não têm validade legal, e as empresas têm até 16 de julho de 2027 para adequar treinamentos feitos parcial ou totalmente a distância (SOC, 2026). Antes de pagar por um curso de NR-35, confirme que ele oferece a parte presencial exigida.
Instalador ou projetista: qual a diferença na energia solar?
São papéis distintos, com exigências distintas. O instalador executa a montagem e precisa do curso técnico e das NRs. O projetista assina o projeto e dá entrada na distribuidora, e para isso é preciso ser engenheiro ou técnico habilitado, com registro no CREA e emissão de ART (Curso NR10, 2025). Um curso livre de instalador não habilita ninguém a assinar projeto.
Entender essa fronteira evita frustração e problema legal. Muita gente faz o curso de instalador esperando poder projetar e homologar sozinho, e descobre no primeiro pedido que a distribuidora exige a ART de um responsável técnico. Se você não é engenheiro nem técnico registrado, o caminho é fechar parceria com um responsável técnico ou seguir a formação até o registro no CREA. Esse desenho define até como você vai organizar a venda e a operação do negócio.
Formações e normas em resumo
Use o resumo abaixo para montar seu plano de qualificação na ordem certa, do básico ao que a lei exige antes de subir no telhado.
- Curso de instalador fotovoltaico: cerca de 24 horas, teoria e prática de montagem e conexão (Instituto da Construção, 2025).
- NR-35 (trabalho em altura): mínimo 8 horas, presencial desde 2026, reciclagem a cada 2 anos (LegisWeb, 2026).
- NR-10 (segurança elétrica): mínimo 40 horas no módulo básico de baixa tensão (Engehall, 2026).
- Certificação ABGD ou ABSOLAR: diferencial de mercado, exigido por parte das contratantes (Solar Plus Brasil, 2025).
- Registro no CREA e ART: obrigatório para projetar e homologar, não apenas para instalar (Curso NR10, 2025).
Vale a pena virar instalador de energia solar em 2026?
O mercado é grande, mas desacelerou. O setor solar brasileiro acumula 2 milhões de empregos gerados por mais de 20 mil empresas (Canal Solar, 2025). Em 2025, porém, a criação de vagas caiu para cerca de 349 mil novos postos, contra 470 mil em 2024, acompanhando a retração da capacidade instalada no ano (ABSOLAR, 2025).
A leitura honesta é que ainda há trabalho, mas com mais concorrência do que no pico. Quem se qualifica bem, mantém as NRs em dia e agrega serviços como manutenção e projeto tende a se sustentar melhor na fase de aperto. Um instalador que só monta compete por preço; um que entende dimensionamento, homologação e pós-venda vira referência e cobra por isso.
Vale também escolher um nicho. Telhado residencial, comércio, agro e sistemas com bateria pedem repertórios diferentes, e especializar-se em um deles reduz a briga por preço. Se o plano é montar negócio próprio e não só prestar serviço, vale ler também como abrir uma empresa de energia solar e entender a base regulatória da geração distribuída.
Montando seu caminho de qualificação
Comece pela base de segurança e avance para a técnica. Um roteiro simples: faça a NR-35 presencial e a NR-10 básica, depois o curso de instalador com prática, e por fim busque uma certificação de mercado como a da ABGD ou ABSOLAR para se destacar (Solar Plus Brasil, 2025). Essa ordem garante que você já esteja apto a trabalhar em campo assim que terminar a parte técnica.
Depois de instalado como profissional, o crescimento vem de dominar o ciclo completo, do dimensionamento à homologação. Ferramentas que organizam projeto, proposta e documentação, como a Reonic, ajudam quem quer sair da instalação avulsa para operar como integrador, no portal. O curso abre a porta; a rotina bem organizada é o que mantém o cliente.
Perguntas frequentes
Preciso de curso técnico para ser instalador de energia solar?
Não para apenas instalar. Um curso livre de instalador fotovoltaico, somado às normas NR-10 e NR-35, é suficiente para atuar na montagem (Instituto da Construção, 2025). O curso técnico ou a engenharia só se tornam obrigatórios quando você quer projetar e dar entrada do projeto na distribuidora, o que exige registro no CREA.
Quanto tempo leva para fazer um curso de instalador solar?
O curso de instalação em si costuma durar cerca de 24 horas entre teoria e prática (Instituto da Construção, 2025). Somando as normas de segurança, você precisa de mais 8 horas de NR-35 e 40 horas de NR-10 básica. No total, um caminho completo de qualificação inicial fica em poucas semanas de dedicação.
A NR-35 pode ser feita online em 2026?
Não como treinamento válido. Desde a Portaria MTE nº 1.259/2026, o treinamento de NR-35 precisa ser 100% presencial, e certificados totalmente online a partir dessa data não têm validade legal (LegisWeb, 2026). Conteúdo a distância só é aceito como material de apoio, nunca como substituto das horas presenciais.
Quanto ganha um instalador de energia solar no Brasil?
Os ganhos variam conforme região, vínculo e volume de obras. Referências de mercado citam faixas entre R$ 1.000 e R$ 3.000 para instaladores, com autônomos remunerados por projeto (Curso NR10, 2025). Quem soma instalação, manutenção e projeto costuma ampliar a renda além dessa faixa inicial.
Instalador de energia solar pode assinar o projeto na distribuidora?
Não, a menos que também seja engenheiro ou técnico habilitado. A entrada do projeto na distribuidora exige um responsável técnico com registro no CREA e emissão de ART (Curso NR10, 2025). O instalador sem esse registro precisa de um responsável técnico parceiro para homologar o sistema legalmente.





