O consumo de TUSD e TE aparece em quase toda conta de luz no Brasil, e desde setembro de 2012 a ANEEL obriga as distribuidoras a mostrar as duas tarifas separadas na fatura (ANEEL), 2022). A TE, a Tarifa de Energia, remunera a geração e a transmissão. A TUSD, a Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição, paga o transporte pela rede local de postes, cabos e transformadores.
Para o integrador, ler essas linhas deixou de ser detalhe contábil. Com o Fio B cobrado a 60% em 2026 sobre sistemas homologados depois de janeiro de 2023 (Canal Solar), 2026), a TUSD virou o centro da conversa de economia com o cliente. Quem entende a fatura vende melhor e não promete conta zero.
Principais conclusões
- A TE paga geração e transmissão; a TUSD paga o uso da rede de distribuição. As duas aparecem separadas na conta desde 2012.
- A TUSD tem quatro partes: Fio A, Fio B, perdas e encargos setoriais.
- O Fio B cobrado da geração distribuída sobe 15 pontos por ano: 45% em 2025, 60% em 2026 e 90% em 2028.
- ICMS, PIS e COFINS incidem sobre TUSD e TE e podem elevar a tarifa final entre 25% e 30%.
- Mesmo com solar, o cliente sempre paga o custo de disponibilidade e a parcela de Fio B não compensada.
O que significa consumo de TUSD e TE na conta de luz?
Consumo de TUSD e TE são as duas tarifas que a distribuidora aplica sobre cada kWh. A TE remunera a energia gerada e trazida até a região; a TUSD remunera o uso da rede local. Somadas e com impostos, formam o preço final por kWh, hoje perto de R$ 1,15 (Poder360), 2026).
As duas tarifas são cobradas em reais por quilowatt-hora e crescem conforme o consumo do mês. Numa conta residencial típica, a TUSD costuma pesar mais que a TE, porque reúne transporte, perdas e encargos. Entender essa divisão ajuda a explicar por que a energia solar reduz parte da conta, mas nunca a zera. Vale também revisar a tarifa de energia elétrica completa antes de simular a economia.
A distinção também importa na hora de comparar propostas. Um cliente que olha só o valor total da conta não percebe que parte dela é fixa e parte é variável. Ao separar TUSD e TE, o integrador mostra qual fatia a geração própria realmente ataca e qual permanece independentemente do sistema instalado no telhado.
Como a TUSD é composta: Fio A, Fio B, perdas e encargos
A TUSD reúne quatro custos definidos pela ANEEL: transporte Fio A, que cobre o uso da rede básica e de outras distribuidoras; transporte Fio B, que remunera a operação e a manutenção da rede local; perdas técnicas e não técnicas; e encargos setoriais que financiam subsídios e programas de governo (ANEEL), 2022).
Cada parcela tem peso diferente na tarifa. O Fio B, sozinho, costuma representar entre 28% e 35% da TUSD (Bulbe Energia), 2026), o que explica sua importância para quem gera a própria energia. As perdas e os encargos variam por distribuidora e entram no reajuste anual que a ANEEL homologa para cada concessionária.
O Fio A e as perdas raramente aparecem no discurso de vendas, mas afetam o cálculo. As perdas não técnicas, ligadas a furto e inadimplência, são rateadas entre todos os consumidores regulares. Os encargos setoriais custeiam a Conta de Desenvolvimento Energético e outros programas. Nenhuma dessas parcelas é abatida pela geração distribuída, o que reforça por que a economia se concentra na energia compensada.
O que é o Fio B e por que ele cresce até 2028?
O Fio B é a parcela da TUSD que remunera a rede local, os postes e fios que chegam até a rua do cliente. Ele responde por 28% a 35% da TUSD (Bulbe Energia), 2026). Na geração distribuída, a Lei 14.300 definiu que essa parcela passa a ser cobrada de forma crescente sobre a energia injetada na rede.
O percentual sobe 15 pontos por ano para os sistemas homologados a partir de 7 de janeiro de 2023 (pv magazine Brasil), 2026). Quem conectou antes dessa data mantém a compensação integral até 2045. O cronograma de cobrança segue esta linha:
- 2023: 15% do Fio B cobrado sobre a energia injetada
- 2024: 30%
- 2025: 45%
- 2026: 60%
- 2027: 75%
- 2028: 90%, com regra definitiva ainda em estudo pela ANEEL
Esse avanço muda a conta de retorno do sistema e reforça o interesse por baterias e autoconsumo. Para o detalhe da regra, vale consultar o guia do Fio B e o resumo da Lei 14.300.
Como calcular o valor de TUSD e TE na fatura
O cálculo é direto: multiplique o consumo em kWh pela tarifa de cada componente. O consumo de TUSD em reais é igual ao consumo em kWh vezes a tarifa da TUSD, e o mesmo vale para a TE (Descarbonize), 2026). A soma das duas, com ICMS, PIS e COFINS por cima, resulta no valor pago.
Veja um exemplo simples para uma conta de 300 kWh no mês, com tarifas ilustrativas:
- Consumo do mês: 300 kWh (exemplo)
- Parcela TUSD: 300 kWh x R$ 0,45 = R$ 135,00
- Parcela TE: 300 kWh x R$ 0,35 = R$ 105,00
- Impostos: ICMS, PIS e COFINS aplicados por dentro, elevando o total final
As tarifas reais de TUSD e TE saem da resolução homologatória anual de cada distribuidora, então o número muda por região e por classe. O método, porém, é sempre o mesmo, e serve para conferir se a fatura do cliente está coerente com o consumo medido.
Na geração distribuída, o cálculo ganha uma etapa. A energia injetada gera créditos que abatem o consumo, mas a parcela de Fio B cobrada no ano vigente reduz o valor efetivo de cada crédito. Por isso, ao dimensionar o sistema, convém projetar a conta com o percentual de Fio B do ano de entrada em operação, e não com a regra antiga de compensação integral.
Quais impostos incidem sobre a TUSD e a TE?
ICMS, PIS e COFINS incidem sobre a soma de TUSD e TE. As alíquotas médias giram em torno de 17,3% de ICMS e 5,2% de PIS e COFINS, e juntas podem elevar a tarifa final entre 25% e 30% (Central Watt), 2026). O ICMS varia por estado e é o tributo de maior peso.
Além dos impostos, a bandeira tarifária entra na parcela de energia e muda mês a mês, conforme o custo de geração no país. Por isso duas contas com o mesmo consumo podem ter valores diferentes. Na geração distribuída, a energia compensada reduz o consumo faturado, mas os tributos continuam incidindo sobre a parcela efetivamente cobrada.
O custo de disponibilidade ainda aparece com energia solar?
Sim. O custo de disponibilidade é o mínimo que todo cliente conectado paga para manter a rede à disposição 24 horas, mesmo gerando a própria energia (Origo Energia), 2026). Ele equivale a 30 kWh no monofásico, 50 kWh no bifásico e 100 kWh no trifásico.
Na prática, a fatura de um cliente solar costuma cair para esse piso mais a parcela de Fio B não compensada e os impostos. É o que impede a conta zero. Deixar isso claro na proposta evita a frustração mais comum do pós-venda, quando o cliente esperava não pagar nada e ainda vê a taxa mínima na conta.
O piso também define o limite do que a solar consegue economizar. Não adianta superdimensionar o sistema para tentar zerar a conta, porque o custo de disponibilidade permanece de qualquer forma. Um dimensionamento honesto mira o consumo real e trata a taxa mínima como valor fixo do orçamento, o que mantém o payback dentro do que foi prometido ao cliente.
Como explicar a conta de TUSD e TE ao cliente
O caminho mais eficaz é abrir uma conta real do cliente na visita e apontar cada linha. Em campo, a dúvida que mais aparece é a do cliente que esperava fatura zerada e ainda enxerga TUSD e custo de disponibilidade. Mostrar onde a economia recai, sobre a energia compensada, resolve a maior parte do atrito.
Uma segunda observação prática ajuda no fechamento: separar na proposta a parte que a solar reduz da parte fixa que permanece. Clientes de maior consumo, ou que estudam o mercado livre de energia, entendem rápido que o ganho vem de abater o consumo faturado, não de eliminar a tarifa de rede. Essa clareza sustenta a confiança na hora da assinatura.
O que muda em 2026 e nos próximos anos
Em 2026 o Fio B chega a 60% e a ANEEL projeta alta média de 8,6% nas contas de luz (Poder360), 2026). A agência abriu consulta pública em dezembro de 2025 para definir como a energia da geração distribuída será remunerada depois da transição (Energy Solutions Show), 2026).
Para o integrador, o recado é acompanhar o reajuste anual de cada distribuidora e recalcular a economia a cada proposta. O cenário de rede mais cara e Fio B crescente tende a favorecer sistemas com armazenamento e maior autoconsumo, já que cada kWh consumido na hora da geração vale mais do que o crédito injetado. Esse é o argumento técnico que sustenta a próxima onda de propostas híbridas.
Ferramentas de projeto e monitoramento, como as da Reonic, ajudam a simular a conta já com o Fio B vigente antes de fechar o contrato, o que reduz surpresa no primeiro ciclo de faturamento do cliente.
Perguntas frequentes
TUSD e TE são impostos?
Não. São tarifas: a TE cobre a energia e a TUSD cobre o uso da rede de distribuição, ambas definidas pela ANEEL. Os impostos, como ICMS, PIS e COFINS, incidem por cima dessas tarifas e aparecem em linhas próprias na fatura.
Por que pago TUSD mesmo gerando minha própria energia?
Porque o sistema usa a rede para injetar o excedente e retirar energia à noite. O Fio B, dentro da TUSD, remunera esse uso e é cobrado de forma crescente pela Lei 14.300 sobre os sistemas homologados a partir de janeiro de 2023.
O que pesa mais na conta, TUSD ou TE?
Na conta residencial, a TUSD costuma pesar mais, porque reúne transporte, perdas e encargos setoriais. A proporção exata muda conforme a distribuidora, a bandeira tarifária do mês e a classe de consumo do cliente.
A energia solar zera a TUSD?
Não. A solar compensa o consumo faturado, mas o custo de disponibilidade e a parcela de Fio B não compensada continuam na conta. Por isso a fatura de um cliente solar cai bastante, sem chegar a zero.
Onde vejo TUSD e TE na minha fatura?
Nas linhas de consumo da conta, discriminadas em R$/kWh. A separação é obrigatória por determinação da ANEEL desde 2012, o que permite conferir cada parcela e comparar com o consumo medido no mês.






